sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Novo endereço
Visitem-nos aqui, em http://blog.josesaramago.org.
domingo, 17 de agosto de 2008
O escritor José Manuel Mendes oferece cem livros à Biblioteca da Fundação José Saramago, em Azinhaga
Vamos longe. José Manuel Mendes, o amigo, o poeta, o ficcionista, o presidente de Associação Portuguesa de Escritores, acaba de oferecer-nos, da sua biblioteca pessoal e destinada à nossa Delegação de Azinhaga, uma notável colecção de obras de poesia e prosa de autores portugueses e estrangeiros. O seu gesto é só o último da interminável sequência de provas de amizade que dele vimos recebendo desde há muitos anos. Aqui lhe deixamos o nosso mais vivo reconhecimento, esperando que na próxima visita a Azinhaga se encontre, na nossa biblioteca, com um jovem leitor lendo um livro de Eça de Queiroz, esse livro que era seu e agora é de toda a gente. Obrigado, José Manuel.Manuel Gusmão – migrações do fogo
Ana Luísa Amaral – A Génese do Amor
Gianni Vattimo – Acreditar em Acreditar
José Agostinho Baptista – Quatro Luas
Gastão Cruz – Repercussão
Juan José Millás – El orden alfabético
Epicuro – Carta Sobre A Felicidade
Javier Marias – Negra espalda del tiempo
Pedro Almeida Vieira – O Profeta do Castigo Divino
Daniel Faria – Poesia
José Emílio-Nelson – A Alegria do Mal
Nuno Júdice – O Anjo da Tempestade
Nuno Júdice – Pedro, lembrando Inês
Nuno Júdice – Geometria Variável
José Maria Rodrigues da Silva – O Passado e O Futuro da União Europeia
Frederico Mira George – Quarenta Romances de Cavalaria
Teresa Tudela – T a Bernardim
António Ferra – A Palavra-Passe
José Rui Teixeira – O Fogo e Outros Utensílios da Luz
Rui Costa – A Nuvem Prateada das Pessoas Graves
Mário Máximo – Hangar de Sonhos
Vasco Paiva – Na Outra Margem do Tempo
Gabriel Garcia Marquez – Crónica de Uma Morte Anunciada
José Miguel Silva – Vista para Um Pátio
Panait istrati – Mes départs
Orlando da Costa – Vocações, Evocações
Casimiro de Brito – Livro das Quedas
Jaime Rocha - Lacrimatória
João Miguel Fernandes Jorge – Termo de Óbidos
João Miguel Fernandes Jorge – Fins de Semana
Maria do Rosário Pedreira – Nenhum Nome Depois
A. M. Pires Cabral – Douro: Pizzicato e Chula
Vergílio Alberto Vieira – Papéis de Fumar
Paulo Teixeira – Orbe
António Monginho – Das Sete Colinas
Julieta Monginho – Juízo Perfeito
Julieta Monginho – À Tua Espera
Julieta Monginho – A Construção da Noite
Julieta Monginho – A Terceira Mãe
Manuel Alegre – Cão Como Nós
Manuel Alegre e outros – Poesia Para A Viagem
Vários poetas – O Escritor, 22
Mário Vargas Llosa – A Tia Júlia e O Escrevedor
Manuel Rivas – Que me quieres, amor?
Fernando Echevarría – Epifanias
Carlos Fuentes – Diana o la cazadora solitária
José Manuel Carreira Marques – Cristal da Pele
Edward Morgan Forster – Um Quarto Com Vista
Eça de Queiroz – O Egipto
Eça de Queiroz – O Mistério da Estrada de Sintra
Eça de Queiroz – A Capital
Boris Pasternak – O Doutor Jivago
Fernando Namora – A Nave de pedra
Fernando Namora – Minas de San Francisco
Cormac McCarthy – Belos Cavalos
Carla Manuela Mendes – O Pescador de Palavras e A Pista de tartan
Joseph Stein (libreto) – Um Violino no Telhado
Angel Latorre – Introdução Ao Direito
José Manuel Mendes – Mastros na Areia
José Manuel Mendes – O Rio Apagado
José Manuel Mendes – O Homem do Corvo
José Manuel Mendes – O Despir da Névoa
José Manuel Mendes – Setembro Outra Vez
Filomena Cabral – Mar Salgado
Filomena Cabral – Ornato Cantabile
Fernando Campos – O Lago Azul
Carlos Loures – A Sinfonia da Morte
Patrícia Melo – Inferno
Francisco do Ó Pacheco – Crónica da Primeira Greve Ecológica em Portugal
Cristina de Mello – Inteiro Silêncio
Conceição Lima – A Dolorosa Raiz do Micondó
Heliodoro Baptista – Nos Joelhos do Silêncio
Guita Jr. – Os Aromas Essenciais
Henrique Dinis da Gama – Entre Mar e Margem
Rui Hebron – Voar como Os Pássaros, Chorar Como As Nuvens
Loureiro dos Santos – O Império Debaixo de Fogo
António Mega Ferreira – a borboleta de nabokov
Isabel Fraga – A Desenhadora de Malvas
Mário de Carvalho – Água em Pena de Pato
Maria Gabriela Llansol – Amigo e Amiga
Maria Gabriela Llansol – A Restante Vida
Amadeu Baptista – poemas de caravaggio
Eduardo Halfon – O Anjo Literário
Ruben A- - Páginas III
Ruben A. – Páginas VI
Inês Pedrosa – Crónica Feminina
Inês Pedrosa – A Eternidade e O Desejo
Raul de Mesquita – Estoril 1959
José Maria Ventura – O Funâmbulo Sonâmbulo
José Luís Peixoto – Cemitério de Pianos
José Luís Peixoto – cal
Ana Teresa Pereira – A Neve
Rodrigo Guedes de Carvalho – Mulher em Branco
Filipe Leandro Martins – A Face do Lado
Dulce Maria Cardoso – Até Nós
Francisco Ayala – Muertes de perro
Albert Camus – La chute
Mário Cláudio – Gémeos
Mário Cláudio – Camilo Broca
Fernando Pinheiro – O Voo do Gafanhoto
Dulce Chacón – Cielos de barro
George Simenon – Maigret et son mort
Fiódor Dostoiewski – Noches blancas
Jorge Sousa Braga – O Poeta Nu
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
A Delegação Local da Fundação José Saramago - Azinhaga - de portas abertas
As visitas sucedem-se, sejam de crianças e jovens sedentos de aceder aos computadores e às viagens virtuais que ali se iniciam, sejam de adultos que, movidos pela vontade de conhecer aquele espaço aprazível ou um pouco mais sobre o homem e sobre a obra, sobem ao primeiro andar e ali contactam com imagens, com a arca das favas, com recortes de jornais ou com a cama dos avós de José Saramago.No andar de baixo, a obra completa de Saramago em diversas línguas convida a momentos de leitura. No mesmo espaço, o cibercafé, de livre acesso, disponibiliza dois computadores para recolher materiais para trabalhos, consultar as últimas notícias ou navegar por países distantes, à distância de um clic.


No primeiro andar, um espaço de memória, de presente e de futuro, onde a par da cama dos avós de José Saramago, por onde passam algumas das suas «Pequenas Memórias», se podem ler entrevistas, ver a sua certidão de nascimento ou fotografias dos passos do homem que partiu de Azinhaga e a ela voltou para deixar um espaço aberto a todos.
É assim a Fundação José Saramago, aberta a todos os que a queiram visitar!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Morreu Mahmoud Darwish
Forçado a viver no exílio entre 1971 e 1996, ano em que regressa à Palestina depois de anos vividos entre Moscovo, Paris e Beirute, Darwish foi também um membro activo no quadro político da Palestina, tendo pertencido à direcção da OLP e mantendo-se até à data da sua morte como militante do Partido Comunista Israelita. As suas palavras assumiram um carácter histórico quando em 1988 escreveu a declaração de independência da Palestina. Nos últimos anos, assumiu algumas divergências com a linha seguida pelos responsáveis do Hamas, criticando uma maior presença de acções violentas nas lutas lideradas por este movimento.
Em 2001 foi distinguido com o Prémio Lannan para a Liberdade Cultural, reconhecimento por um trabalho de coragem e de celebração dos Direitos Humanos e do direito à liberdade de pensar, de questionar e de se expressar.
Colaborou ao longo dos anos com diversos jornais e a sua obra poética encontra-se editada em quase 30 países. Em Portugal, os seus poemas podem ser lidos na antologia O Jardim Adormecido e Outros Poemas, ed. Campo das Letras.
Há oito anos atrás, quando Darwish viu a inclusão de poemas seus em livros escolares israelitas ser vetada por partidos da direita israelita, afirmou: «Tenho paciência e espero uma profunda revolução na consciência israelita.»
Morreu no sábado, 9 de Agosto, continuando a acreditar na paz entre Israel e a Palestina.
Boomp3.com
Reem Kelani: Mawwaal, poema de Mahmoud Darwish
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Tradução de O Ano da Morte de Ricardo Reis distinguida
A Associação de Tradutores da Sociedade de Autores do Reino Unido, no ano em que comemora o seu 50.º aniversário, tornou pública a lista das melhores traduções literárias publicadas no Reino Unido nos últimos cinquenta anos. Entre obras de autores como Jorge Luis Borges, Yukio Mishima, Gabriel Garcia Marquez, Walter Benjamin, Bertolt Brecht, ou Tolstoy surge O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago numa tradução de Giovanni Pontiero, de 1992.José Saramago, que dedicava a Giovanni Pontiero, falecido em 1996, uma amizade muito particular e um grande apreço pela suas qualidades de trabalho e humanas regozija-se com o facto de ver reconhecido tão justamente em tão prestigiada lista o nome daquele que foi o tradutor exemplar de O Ano da Morte de Ricardo Reis bem como do resto da sua obra até Ensaio Sobre a Cegueira, que acabou de rever no hospital onde, dias depois, acabaria por morrer.
Giovanni Pontiero, de origem escocesa, dá o seu nome a um Prémio Internacional de Tradução, organizado anualmente pela Faculdade de Tradução da Universidade de Barcelona, e que goza já de um enorme prestígio entre os tradutores, esses profissionais que, segundo José Saramago, tornam Universal as diferentes Literaturas Nacionais.
A lista completa foi publicada no jornal The Times e pode ser consultada aqui.
sábado, 9 de agosto de 2008
Recordar Ruy Belo, trinta anos após a sua morte
Poemas de Ruy Belo, ditos por Luís Miguel Cintra, Assírio e Alvim/Sons
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Blindness no Festival de Cinema de Sitges
Sitges, pequena localidade nos arredores de Barcelona, será tomada em Setembro pela cegueira branca de Blindness.O Festival, fundado em 1968 sob a forma de Semana Internacional do Cinema Fantástico e de Terror, transformou-se no mais importante acontecimento cinematográfico do género e, este ano, junta a nomes como Anthony Hopkins, Jodie Foster, David Cronenberg, Quentin Tarantino ou Guillermo del Toro, presentes em edições anteriores, o de Fernando Meirelles com Blindness, adaptado da obra Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Essa exposição que éramos todos nós
Foram três meses e cinco dias. Contados como os namorados contam as ausências e as presenças. A exposição A Consistência dos Sonhos já não está no Palácio da Ajuda. Técnicos portugueses e espanhóis procedem à embalagem, rumo a outros destinos, e esse facto, a quem percorreu a exposição uma e várias vezes, dói-nos. Custa saber que se descem quadros, se guardam originais, se desligam monitores, se apagam as esculturas de letras, se recolhem livros, se desmantela o primeiro escritório de Saramago, se apaga o foco que iluminava a velha máquina de escrever de há tanto tempo, a máquina de que saíram tão belos textos, custa saber que já não nos encontraremos diante de imagens, com músicas, com a maior flor do mundo, com Blimunda e Divara, com aqueles artigos cortados pela censura, com os rostos dos avós de Saramago, tão belos, com as ruas modestas de um Portugal que ainda não sabia que por ali caminhava um futuro escritor, custa assumir que deixaremos de ver a medalha do Nobel e o diploma que a explica, coisas raras de que só um punhado de pessoas cada ano podem desfrutar, custa admitir que já não povoará a sala de pintura de D. Luis a exposição dos sonhos, dizia, e uma tristeza se apodera de nós, um sentido de ausência, descobrir que algo que era nosso já não está, que nos havíamos acostumado a ter tão próxima, e de repente foi-se embora, quando tínhamos admitido que necessitávamos sentir-nos acompanhados por esta belíssima exposição para aumentar o nosso conhecimento e o nosso direito a querer-nos a nós próprios, pobres diabos e, no entanto, tão capazes… Não, não falo de Saramago, que era o protagonista da exposição, falo da exposição em si, da montagem preciosa e rigorosa que Fernando Gómez Aquilera desenhou, que levantou, que nos mostrou para que pudéssemos viver dentro dela. E assim vimos os nossos primeiros livros, aqueles de um papel que se desfazia e amarelecia nas nossas mãos, e vimos revistas que tanto nos ensinaram, e paisagens e rostos que eram os nossos, e emoções que partilhámos… E pensámos, que fazia eu naquele dia? E pusemos datas às recordações, quando o Nobel, quando o Memorial, quando o Evangelho, quando os cinemas de bairro das Pequenas Memórias, quando a Revolução, e quando uma folha seca mas brilhante que marcava uma data numa agenda… Fomos sendo nós próprios em A Consistência dos Sonhos, rodeados de letras, de todos os nomes, de pedras de Lanzarote e de retratos. Esta exposição que agora estão desmantelando não é a vida duma pessoa, é a soma das experiências de tantos leitores que estavam, cada experiência e cada leitor, nas páginas dos mil livros, nas fotografias, numa partitura, num cartaz, num vídeo em inglês ou em português, ou em outro com acento de Brasil… Era a exposição consistente do formoso acto de encontrar-se, não de escrever ou de ler, mas de habitar num mesmo universo, o nosso universo. Que agora levam, e dói, claro que dói, embora saibamos que pela sala da Ajuda continuarão a circular emoções como se fossem ecos de tantos sentimentos experimentados.
A consistência dos sonhos já não está em Lisboa. Outros países receberão o trabalho da Fundação César Manrique, de Lanzarote. E agora, apesar da pena, só resta manifestar alegria por tê-la visto, por ter podido participar na festa de a percorrer uma e outra vez, como se fosse um corpo, o corpo acolhedor e sugestivo que era. A Fundação César Manrique fez um bom trabalho, Fernando Gómez Aguilera, o comissário, fez um bom trabalho, os técnicos de Lanzarote fizeram um bom trabalho. E o Ministério da Cultura de Portugal, com o ministro à frente, fez um bom trabalho: soube o ministro compreender que o que estava acontecendo em Lanzarote devia entrar nas casas e nos corações dos portugueses, e assim se pôs a trabalhar para que o Palácio da Ajuda estivesse disponível e com as portas abertas de par em par para quantos quisessem experimentar a paixão íntima e deslumbrante do conhecimento partilhado. A todos eles, artistas, técnicos, gestores, representantes políticos, por ter-nos permitido esta gozosa experiência, obrigado de todo o coração.
Depois de termos visitado A Consistência dos Sonhos sabemos que a vida é maior, que a realidade vai mais além que o que a nossa vista alcança. Também sabemos que nos custará aceitar que esse património cultural e emotivo, assim disposto, já não estará em Lisboa para ser experimentado ao cair da tarde. Ou seja, sabemos que a exposição terá de regressar a Portugal porque de Portugal faz parte. Comecemos, pois, a sonhar de novo, agora que ficou claro que os sonhos são consistentes e têm muita força.
Pilar del Río
Esa exposición que éramos todos
Han sido tres meses y 5 días. Contados como los enamorados cuentan ausencias y presencias. La exposición La consistencia de los sueños ya no está en el Palacio de Ajuda. Técnicos portugueses y españoles la embalan rumbo a otros destinos y ese hecho, a quienes la hemos recorrido una y varias veces, nos duele. Cuesta saber que se descuelgan cuadros, se guardan originales, se desconectan monitores, se pagan las esculturas de letras, se recogen los libros, se desmantela el primer escritorio de Saramago, se apaga el foco que apuntaba a la máquina de escribir de hace tanto y de la que tan hermosos libros salieron, cuesta aceptar que ya no toparemos con imágenes, con músicas, con la flor más grande del mundo, con Blimunda y Divara, con aquellos artículos cortados por la censura, con las caras de los abuelos de Saramago, tan bellas, con las calles depauperadas de un Portugal que no sabía todavía que por ahí caminaba un futuro escritor, cuesta asumir que dejaremos de ver la medalla del Nobel y el diploma que lo explica, cosas raras que solo un puñado de personas cada año pueden disfrutar, cuesta admitir que ya no poblará la sala Dom Luis la exposición de los sueños, decía, y un desgarro se apodera de nosotros, un sentido de ausencia, descubrir que algo que era nuestro ya no está, que tres meses y cinco días se han evaporado, que nos acostumbramos a saberla vecina y de pronto se va, cuando habíamos admitido que necesitamos sentirnos acompañados por esta hermosa exposición para aumentar nuestro propio conocimiento y nuestra capacidad de amarnos y de gustar de nosotros mismos, pobres diablos y sin embargo tan capaces...No, no hablo de Saramago, que era el protagonista de la exposición, hablo de la exposición en sí, del montaje precioso y preciso que Fernando Gómez Aguilera diseñó, que levantó, que nos mostró para que pudiéramos vivir en él. Y así vimos nuestros primeros libros, aquellos de papel que se deshacía y amarilleaba en nuestras manos, y vimos revistas que tanto nos enseñaron, y paisajes y rostros que eran los nuestros, y emociones que compartimos… Y pensamos ¿qué hacía yo este día? Y le pusimos fecha a recuerdos, a cuando el Nobel, a cuando Memorial, a cuando el Evangelio, a cuando los cines de barrio de Las pequeñas memorias, a cuando la Revolución y a cuando una hoja seca pero brillante marcaba una fecha en una agenda… Hemos ido siendo nosotros en La consistencia de los sueños, nosotros rodeados de letras, de todos los nombres, de piedras de Lanzarote y de retratos. Esta exposición que ahora desmantelan no es la vida de una persona, es la suma de las experiencias de tantos lectores que estaban, cada experiencia y cada lector, en las páginas de los mil libros, en las fotos, en una partitura, en un cartel, en un vídeo en inglés o en portugués o en otro con acento de Brasil… Era la exposición consistente del hermoso acto de encontrarse, no de escribir ni de leer, sino de habitar un mismo universo, nuestro universo. Que ahora se llevan y duele, claro que duele, aunque sepamos que por la sala de Ajuda seguirán circulando emociones como si fueran ecos de tantos sentimientos registrados.
La consistencia de los sueños ya no está en Lisboa. Otros países recibirán el trabajo de la Fundación César Manrique de Lanzarote. Y ahora, pese a la pena, solo queda manifestar alegría por haberla visto, por haber podido participar en la fiesta de recorrerla una y otra vez, como si fuera un cuerpo, como el cuerpo acogedor y sugestivo que era. La Fundación César Manrique hizo un buen trabajo, Fernando Gómez Aguilera, el comisario, hizo un buen trabajo, los técnicos de Lanzarote hicieron un buen trabajo. Y el Ministerio de Cultura de Portugal, con el Ministro al frente, hizo un buen trabajo: supo el ministro cerciorarse de que lo que estaba pasando en Lanzarote debía de entrar en las casas y en los corazones de los portugueses y se puso a trabajar para que Ajuda estuviera disponible y con las puertas abiertas de par en par para quienes quisieran experimentar la pasión íntima y deslumbrante del conocimiento compartido. A todos ellos, artistas, técnicos, gestores, representantes políticos, por habernos permitido esta gozosa experiencia, gracias de todo corazón.
Después de haber visitado La consistencia de los sueños sabemos que la vida es más grande y que la realidad va más allá de lo que alcanza nuestra vista. También sabemos que nos costará aceptar que ese patrimonio cultural y emotivo, y así dispuesto, ya no estará en Lisboa para ser experimentado a la caída de la tarde. O sea, sabemos que la exposición tendrá que regresar a Portugal porque forma parte de Portugal. Empecemos, pues, a soñar de nuevo, ahora que nos han puesto de manifiesto que los sueños son consistentes y tienen mucha fuerza.
Buen viaje, Exposición, buena travesía y hasta pronto.
domingo, 27 de julho de 2008
Viva o povo brasileiro - Reacção de José Saramago à atribuição do Prémio Camões a Ubaldo Ribeiro
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Últimos dias de A Consistência dos Sonhos no Palácio da Ajuda

Para assinalar o encerramento da exposição, terá lugar no dia 27, pelas 19 Horas, um concerto de violoncelo executado por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa. De acordo com o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), o concerto, de entrada gratuita e pelas 19:00, será realizado pelo duo de violoncelos Franz Ortner e Ana Cláudia Serrão.
Do programa fazem parte a Sonata n.º 1 para Dois Violoncelos de Georg Philipp Telemann (1681-1767), Bulerias, de Mario Escudero (1928-2004), Sonata para Dois Violoncelos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Sonata para Violoncelo Solo, de Gyorgy Ligeti (1923-2006).
Serão ainda interpretados o tema popular brasileiro "O Surdo", de Totonho e Paulinho Rezende, e "Julie-o", de Mark Summer.
José Saramago: A Consistência dos Sonhos pelo olhar de Isabel Coutinho
in Ciberescritas
quarta-feira, 23 de julho de 2008
A Fundação José Saramago e o Centro Andaluz del Vidrio em Castril de la Peña, Granada, Espanha
Graças à iniciativa da Fundação José Saramago, do município de Castril e dos fundos obtidos através de instituições andaluzas, pôs-se em marcha um projecto que pretende recuperar e manter viva a tradição do trabalho em torno do vidro, arte que deu a conhecer Castril de la Peña à Europa e ao mundo, já que peças saídas das mãos dos criadores de Castril podem ser vistas nos museus mais importantes. Actualmente, no Centro é dada formação a cerca de 20 pessoas, que se iniciam nas artes do vidro soprado e noutras técnicas, e que serão os obreiros da indústria do vidro, tão reclamada durante anos.
O Centro e o trabalho que ali se realiza merecem uma visita, mas para quem não possas deslocar-se até Castril, pode ver este vídeo de apresentação que mostra as primeiras peças saídas do Centro Andaluz del Vidrio, já nesta data uma prometedora realidade.
Con el objetivo de recuperar la pérdida industria del vidrio, se ha puesto en marcha una iniciativa que dará trabajo y visibilidad a una zona económicamente deprimida.
Gracias a la iniciativa de la Fundación José Saramago, del Ayuntamiento de Castril y con los fondos obtenidos de las instituciones andaluzas, se ha puesto em marcha un proyecto que pretende recuperar y mantener viva la tradición del trabajo en torno al vidrio, arte que dio a conocer Castril de la Peña en Europa y el mundo entero, ya que piezas salidas de las manos de los creadores de Castril se pueden ver en los museos más importantes. Actualmente en el centro se imparte formación a cerca de 20 personas, que se inician en las artes del soplado del vidrio y otras técnicas, y que serán quienes pongan en marcha la industria del vidrio, tan reclamada durante años. El centro y el trabajo que allí se realiza merece una visita, pero para quien no pueda desplazarse hasta Castril, puede ver este video de presentación que muestra las primeras piezas salidas del Centro Andaluz del Vidrio, ya en estas fechas una prometedora realidad.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Concerto de violoncelo no encerramento da exposição José Saramago: A Consistência dos Sonhos
Um concerto de violoncelo executado por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa assinala dia 27 de Julho o encerramento da exposição "José Saramago. A consistência dos sonhos", patente na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I.Do programa fazem parte a Sonata n.º 1 para Dois Violoncelos de Georg Philipp Telemann (1681-1767), Bulerias, de Mario Escudero (1928-2004), Sonata para Dois Violoncelos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Sonata para Violoncelo Solo, de Gyorgy Ligeti (1923-2006).
Também irão interpretar o tema popular brasileiro "O Surdo", de Totonho e Paulinho Rezende, e "Julie-o", de Mark Summer.
Com centenas de documentos, fotografias, pinturas e notas pessoais do Nobel da Literatura, a exposição "José Saramago - A Consistência dos Sonhos" recebeu cerca de 5.400 visitantes durante o primeiro mês em que esteve patente, após ter sido inaugurada a 23 de Abril.
Organizada pela Fundação César Manrique, a exposição é comissariada por Fernando Gómez Aguilera, e esteve inicialmente em Lanzarote (Canárias) - onde foi inaugurada em Novembro do ano passado -, tendo sido ampliada com mais documentos provenientes da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e pinturas criadas por artistas que se inspiraram na obra de José Saramago.
"A Consistência dos Sonhos" conta com uma forte componente multimédia, recorrendo a suportes digitais e audiovisuais, e exibe um conjunto de documentos inéditos do espólio do escritor laureado com o Nobel da Literatura em 1998.
"José Saramago: A Consistência dos Sonhos" - apresentada em Lisboa com o apoio e organização do Ministério da Cultura através do Instituto Português de Museus (IMC), a BNP e a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) - vai estar patente na Galeria D. Luís até 27 de Julho.
A exposição estará aberta, de segunda-feira a domingo (excepto quarta-feira), das 10:00 às 19:00.
Fonte: LUSA
quarta-feira, 16 de julho de 2008
A Casa dos Bicos e a Fundação José Saramago
Ao longo do tempo, a Casa dos Bicos foi lugar de encontro de saberes e de culturas. Desde o século XVI até hoje ali se conciliaram formas distintas de ver o mundo. Ali se sonhou, se planificou, se abriram portas ao entendimento, o melhor que temos os seres humanos.A Fundação José Saramago, com a maior gratidão e o maior orgulho, fará tudo para manter o bom e o excelente que esse edifício guarda e propagá-lo até onde cheguem as suas possibilidades. E, se tal estiver ao nosso alcance, a Fundação José Saramago tentará acrescentar história à grande História da Casa dos Bicos com a sua actuação diária no campo da Cultura, do Pensamento, dos Direitos Humanos, do Meio Ambiente, de matérias não tangíveis, mas que nos fazem ser desta maneira e não de outra. Para isso nascemos.
A Fundação José Saramago, feliz por esta concessão da Câmara Municipal de Lisboa, agradece e expressa a sua disposição para ser útil a todos, tal como claramente se encontra expressado na Declaração Fundacional e nas normas estatutárias.
Fundação José Saramago
Última hora - Aprovada cedência da Casa dos Bicos para Fundação Saramago
A Câmara de Lisboa aprovou hoje em reunião do executivo municipal a cedência da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, que acolherá a biblioteca do autor prémio Nobel da Literatura.O protocolo entre a autarquia lisboeta e a fundação será assinado quinta-feira às 15:30, no salão nobre dos Paços do Concelho, com a presença de José Saramago.
Fonte: LUSA
segunda-feira, 14 de julho de 2008
A Maior Flor do Mundo pelos olhos das crianças
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Jorge de Sena na Antena 1 e Antena 2
Podem ouvir-se poemas de Jorge de Sena, ditos pelo próprio, e declarações de Jorge Fazenda Lourenço sobre a obra e sobre o homem.
Autoria: Paula Véran / RDP
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Hoje, dia 10 de Julho, no Teatro Nacional de São Carlos, 21.30 Horas
- Leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho
- Recital de piano por António Rosado
- Leitura de depoimento de Mécia de Sena
- Intervenções de Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva,
Jorge Fazenda Lourenço, António Mega Ferreira e
José Saramago
- Encerrará a sessão o Ministro da Cultura,
José António Pinto Ribeiro
Entrada livre, condicionada pela lotação da sala
Organização: Fundação José Saramago,
com a colaboração do Ministério da Cultura
Apoio: Biblioteca Nacional de Portugal,
Teatro Nacional de São Carlos
O reencontro de José Saramago com Jorge de Sena 47 anos depois
Na sexta-feira passada, em sua casa, José Saramago relembrou os tempos em que conheceu e se correspondeu com Jorge de Sena e começou por dizer que "a vida é lixada!". Depois, arrependeu-se da palavra e achou que se deveria encontrar outra para definir a vida e, principalmente, a morte porque "não só nos empurra brutalmente para fora da vida, mas tem, muitíssimas vezes, outra consequência que é uma outra espécie de morte que se chama esquecimento".
É contra esta situação que a Fundação José Saramago realiza esta noite uma sessão/debate para tornar mais presente na cultura nacional a obra daquele escritor. Para Saramago, Jorge de Sena "não está esquecido. Continua a ter muitíssimos leitores e a atenção dos estudiosos - académicos ou não - na obra poética e de ficção e alguns na área do ensaio".
Sobre o relacionamento de ambos, após 1961, o escritor recorda-o assim: "Eu conheci o Sena, sem qualquer espécie de intimidade a não ser aquela que resultou de quando ele se foi embora de Portugal porque fazia traduções para a Editorial Estúdios Cor (onde José Saramago trabalhava)." Posteriormente, "ele veio a Lisboa uma vez ou duas, uma por ocasião de um congresso de escritores em que casualmente ficámos sentados um ao lado do outro e conversámos. Depois de 1974, os contactos romperam-se porque não publicámos nada mais dele", acrescenta.
Desses tempos, o escritor realça ainda "uma característica raríssima num grande tradutor, e eu não conheço outro caso, a de a cada tradução acrescentar um estudo sobre esse livro" e uma outra, a de ser "o tipo de pessoa que eu aprecio porque é frontal e expressivo".
Quanto ao evento de hoje à noite, Saramago não acredita que seja "uma espécie de passe de mágica que vá transformar essa situação (de alguma indiferença) numa completamente diferente, com Portugal inteiro correndo às livrarias à procura dos livros do Jorge de Sena - coisa que estaria muito bem se o fizesse -, mas não sejamos ingénuos".Para Novembro, estão previstas novas conferências com o Nobel. Depois de Jorge Luis Borges, os próximos autores são José Rodrigues Miguéis, Raul Brandão - "um escritor muito melhor e maior do que aquilo que se convencionou" - e Almada Negreiros, "responsável pela segunda grande revolução estilística na nossa língua e literatura".
João Céu e Silva, in DN de 10.07.2008

