sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Novo endereço

O blog da Fundação José Saramago mudou de endereço.
Visitem-nos aqui, em http://blog.josesaramago.org.

domingo, 17 de agosto de 2008

O escritor José Manuel Mendes oferece cem livros à Biblioteca da Fundação José Saramago, em Azinhaga

Vamos longe. José Manuel Mendes, o amigo, o poeta, o ficcionista, o presidente de Associação Portuguesa de Escritores, acaba de oferecer-nos, da sua biblioteca pessoal e destinada à nossa Delegação de Azinhaga, uma notável colecção de obras de poesia e prosa de autores portugueses e estrangeiros. O seu gesto é só o último da interminável sequência de provas de amizade que dele vimos recebendo desde há muitos anos. Aqui lhe deixamos o nosso mais vivo reconhecimento, esperando que na próxima visita a Azinhaga se encontre, na nossa biblioteca, com um jovem leitor lendo um livro de Eça de Queiroz, esse livro que era seu e agora é de toda a gente. Obrigado, José Manuel.

Manuel Gusmão – migrações do fogo
Ana Luísa Amaral – A Génese do Amor
Gianni Vattimo – Acreditar em Acreditar
José Agostinho Baptista – Quatro Luas
Gastão Cruz – Repercussão
Juan José Millás – El orden alfabético
Epicuro – Carta Sobre A Felicidade
Séneca – Da Vida Feliz
Javier Marias – Negra espalda del tiempo
Pedro Almeida Vieira – O Profeta do Castigo Divino
Daniel Faria – Poesia
José Emílio-Nelson – A Alegria do Mal
Nuno Júdice – O Anjo da Tempestade
Nuno Júdice – Pedro, lembrando Inês
Nuno Júdice – Geometria Variável
José Maria Rodrigues da Silva – O Passado e O Futuro da União Europeia
Frederico Mira George – Quarenta Romances de Cavalaria
Teresa Tudela – T a Bernardim
António Ferra – A Palavra-Passe
José Rui Teixeira – O Fogo e Outros Utensílios da Luz
Rui Costa – A Nuvem Prateada das Pessoas Graves
Mário Máximo – Hangar de Sonhos
Vasco Paiva – Na Outra Margem do Tempo
Gabriel Garcia Marquez – Crónica de Uma Morte Anunciada
José Miguel Silva – Vista para Um Pátio
Panait istrati – Mes départs
Orlando da Costa – Vocações, Evocações
Casimiro de Brito – Livro das Quedas
Jaime Rocha - Lacrimatória
João Miguel Fernandes Jorge – Termo de Óbidos
João Miguel Fernandes Jorge – Fins de Semana
Maria do Rosário Pedreira – Nenhum Nome Depois
A. M. Pires Cabral – Douro: Pizzicato e Chula
Vergílio Alberto Vieira – Papéis de Fumar
Paulo Teixeira – Orbe
António Monginho – Das Sete Colinas
Julieta Monginho – Juízo Perfeito
Julieta Monginho – À Tua Espera
Julieta Monginho – A Construção da Noite
Julieta Monginho – A Terceira Mãe
Manuel Alegre – Cão Como Nós
Manuel Alegre e outros – Poesia Para A Viagem
Vários poetas – O Escritor, 22
Mário Vargas Llosa – A Tia Júlia e O Escrevedor
Manuel Rivas – Que me quieres, amor?
Fernando Echevarría – Epifanias
Carlos Fuentes – Diana o la cazadora solitária
José Manuel Carreira Marques – Cristal da Pele
Edward Morgan Forster – Um Quarto Com Vista
Eça de Queiroz – O Egipto
Eça de Queiroz – O Mistério da Estrada de Sintra
Eça de Queiroz – A Capital
Boris Pasternak – O Doutor Jivago
Fernando Namora – A Nave de pedra
Fernando Namora – Minas de San Francisco
Cormac McCarthy – Belos Cavalos
Carla Manuela Mendes – O Pescador de Palavras e A Pista de tartan
Joseph Stein (libreto) – Um Violino no Telhado
Angel Latorre – Introdução Ao Direito
José Manuel Mendes – Mastros na Areia
José Manuel Mendes – O Rio Apagado
José Manuel Mendes – O Homem do Corvo
José Manuel Mendes – O Despir da Névoa
José Manuel Mendes – Setembro Outra Vez
Filomena Cabral – Mar Salgado
Filomena Cabral – Ornato Cantabile
Fernando Campos – O Lago Azul
Carlos Loures – A Sinfonia da Morte
Patrícia Melo – Inferno
Francisco do Ó Pacheco – Crónica da Primeira Greve Ecológica em Portugal
Cristina de Mello – Inteiro Silêncio
Conceição Lima – A Dolorosa Raiz do Micondó
Heliodoro Baptista – Nos Joelhos do Silêncio
Guita Jr. – Os Aromas Essenciais
Henrique Dinis da Gama – Entre Mar e Margem
Rui Hebron – Voar como Os Pássaros, Chorar Como As Nuvens
Loureiro dos Santos – O Império Debaixo de Fogo
António Mega Ferreira – a borboleta de nabokov
Isabel Fraga – A Desenhadora de Malvas
Mário de Carvalho – Água em Pena de Pato
Maria Gabriela Llansol – Amigo e Amiga
Maria Gabriela Llansol – A Restante Vida
Amadeu Baptista – poemas de caravaggio
Eduardo Halfon – O Anjo Literário
Ruben A- - Páginas III
Ruben A. – Páginas VI
Inês Pedrosa – Crónica Feminina
Inês Pedrosa – A Eternidade e O Desejo
Raul de Mesquita – Estoril 1959
José Maria Ventura – O Funâmbulo Sonâmbulo
José Luís Peixoto – Cemitério de Pianos
José Luís Peixoto – cal
Ana Teresa Pereira – A Neve
Rodrigo Guedes de Carvalho – Mulher em Branco
Filipe Leandro Martins – A Face do Lado
Dulce Maria Cardoso – Até Nós
Francisco Ayala – Muertes de perro
Albert Camus – La chute
Mário Cláudio – Gémeos
Mário Cláudio – Camilo Broca
Fernando Pinheiro – O Voo do Gafanhoto
Dulce Chacón – Cielos de barro
George Simenon – Maigret et son mort
Fiódor Dostoiewski – Noches blancas
Jorge Sousa Braga – O Poeta Nu
Fernando Pessoa – Prosa Publicada em Vida

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Delegação Local da Fundação José Saramago - Azinhaga - de portas abertas

As visitas sucedem-se, sejam de crianças e jovens sedentos de aceder aos computadores e às viagens virtuais que ali se iniciam, sejam de adultos que, movidos pela vontade de conhecer aquele espaço aprazível ou um pouco mais sobre o homem e sobre a obra, sobem ao primeiro andar e ali contactam com imagens, com a arca das favas, com recortes de jornais ou com a cama dos avós de José Saramago.


No andar de baixo, a obra completa de Saramago em diversas línguas convida a momentos de leitura. No mesmo espaço, o cibercafé, de livre acesso, disponibiliza dois computadores para recolher materiais para trabalhos, consultar as últimas notícias ou navegar por países distantes, à distância de um clic.















No primeiro andar, um espaço de memória, de presente e de futuro, onde a par da cama dos avós de José Saramago, por onde passam algumas das suas «Pequenas Memórias», se podem ler entrevistas, ver a sua certidão de nascimento ou fotografias dos passos do homem que partiu de Azinhaga e a ela voltou para deixar um espaço aberto a todos.




É assim a Fundação José Saramago, aberta a todos os que a queiram visitar!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Morreu Mahmoud Darwish

Morreu o poeta palestiniano Mahmoud Darwish, vítima de complicações durante uma cirurgia cardíaca realizada em Houston, EUA. Desapareceu assim «o maior poeta do mundo», segundo as palavras de José Saramago, profundamente emocionado com o desaparecimento de um seu amigo, «um homem cheio de coragem e com uma ética absolutamente impressionante», e «o pioneiro do projecto cultural palestiniano moderno» segundo Mahmoud Abbas, presidente palestiniano.
Darwish contava 67 anos e fez da sua obra um testemunho das várias histórias da luta palestiniana. Temas como a expulsão, a perda da pátria, a ausência ou a determinação encontram-se gravados na sua obra poética, demonstrando que «a poesia não pode mudar o mundo, mas pode acender luzes na escuridão», como afirmou.
Forçado a viver no exílio entre 1971 e 1996, ano em que regressa à Palestina depois de anos vividos entre Moscovo, Paris e Beirute, Darwish foi também um membro activo no quadro político da Palestina, tendo pertencido à direcção da OLP e mantendo-se até à data da sua morte como militante do Partido Comunista Israelita. As suas palavras assumiram um carácter histórico quando em 1988 escreveu a declaração de independência da Palestina. Nos últimos anos, assumiu algumas divergências com a linha seguida pelos responsáveis do Hamas, criticando uma maior presença de acções violentas nas lutas lideradas por este movimento.
Em 2001 foi distinguido com o Prémio Lannan para a Liberdade Cultural, reconhecimento por um trabalho de coragem e de celebração dos Direitos Humanos e do direito à liberdade de pensar, de questionar e de se expressar.
Colaborou ao longo dos anos com diversos jornais e a sua obra poética encontra-se editada em quase 30 países. Em Portugal, os seus poemas podem ser lidos na antologia O Jardim Adormecido e Outros Poemas, ed. Campo das Letras.
Há oito anos atrás, quando Darwish viu a inclusão de poemas seus em livros escolares israelitas ser vetada por partidos da direita israelita, afirmou: «Tenho paciência e espero uma profunda revolução na consciência israelita.»
Morreu no sábado, 9 de Agosto, continuando a acreditar na paz entre Israel e a Palestina.

Boomp3.com

Reem Kelani: Mawwaal, poema de Mahmoud Darwish

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tradução de O Ano da Morte de Ricardo Reis distinguida

A Associação de Tradutores da Sociedade de Autores do Reino Unido, no ano em que comemora o seu 50.º aniversário, tornou pública a lista das melhores traduções literárias publicadas no Reino Unido nos últimos cinquenta anos. Entre obras de autores como Jorge Luis Borges, Yukio Mishima, Gabriel Garcia Marquez, Walter Benjamin, Bertolt Brecht, ou Tolstoy surge O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago numa tradução de Giovanni Pontiero, de 1992.
José Saramago, que dedicava a Giovanni Pontiero, falecido em 1996, uma amizade muito particular e um grande apreço pela suas qualidades de trabalho e humanas regozija-se com o facto de ver reconhecido tão justamente em tão prestigiada lista o nome daquele que foi o tradutor exemplar de O Ano da Morte de Ricardo Reis bem como do resto da sua obra até Ensaio Sobre a Cegueira, que acabou de rever no hospital onde, dias depois, acabaria por morrer.
Giovanni Pontiero, de origem escocesa, dá o seu nome a um Prémio Internacional de Tradução, organizado anualmente pela Faculdade de Tradução da Universidade de Barcelona, e que goza já de um enorme prestígio entre os tradutores, esses profissionais que, segundo José Saramago, tornam Universal as diferentes Literaturas Nacionais.
A lista completa foi publicada no jornal The Times e pode ser consultada aqui.

sábado, 9 de agosto de 2008

Recordar Ruy Belo, trinta anos após a sua morte

Em cima de meus dias

Poemas de Ruy Belo, ditos por Luís Miguel Cintra, Assírio e Alvim/Sons

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Blindness no Festival de Cinema de Sitges

Sitges, pequena localidade nos arredores de Barcelona, será tomada em Setembro pela cegueira branca de Blindness.
Integrado na Selecção Oficial Fora de Competição, Blindness será apresentado como uma das grandes propostas do Festival de 2008. Rodado no Brasil, no Uruguai e no Canadá, o filme realizado por Fernando Meirelles conta com a participação, ente outros, de Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Danny Glover.
O Festival, fundado em 1968 sob a forma de Semana Internacional do Cinema Fantástico e de Terror, transformou-se no mais importante acontecimento cinematográfico do género e, este ano, junta a nomes como Anthony Hopkins, Jodie Foster, David Cronenberg, Quentin Tarantino ou Guillermo del Toro, presentes em edições anteriores, o de Fernando Meirelles com Blindness, adaptado da obra Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Novo trailer de Blindness

terça-feira, 29 de julho de 2008

Essa exposição que éramos todos nós

Foram três meses e cinco dias. Contados como os namorados contam as ausências e as presenças. A exposição A Consistência dos Sonhos já não está no Palácio da Ajuda. Técnicos portugueses e espanhóis procedem à embalagem, rumo a outros destinos, e esse facto, a quem percorreu a exposição uma e várias vezes, dói-nos. Custa saber que se descem quadros, se guardam originais, se desligam monitores, se apagam as esculturas de letras, se recolhem livros, se desmantela o primeiro escritório de Saramago, se apaga o foco que iluminava a velha máquina de escrever de há tanto tempo, a máquina de que saíram tão belos textos, custa saber que já não nos encontraremos diante de imagens, com músicas, com a maior flor do mundo, com Blimunda e Divara, com aqueles artigos cortados pela censura, com os rostos dos avós de Saramago, tão belos, com as ruas modestas de um Portugal que ainda não sabia que por ali caminhava um futuro escritor, custa assumir que deixaremos de ver a medalha do Nobel e o diploma que a explica, coisas raras de que só um punhado de pessoas cada ano podem desfrutar, custa admitir que já não povoará a sala de pintura de D. Luis a exposição dos sonhos, dizia, e uma tristeza se apodera de nós, um sentido de ausência, descobrir que algo que era nosso já não está, que nos havíamos acostumado a ter tão próxima, e de repente foi-se embora, quando tínhamos admitido que necessitávamos sentir-nos acompanhados por esta belíssima exposição para aumentar o nosso conhecimento e o nosso direito a querer-nos a nós próprios, pobres diabos e, no entanto, tão capazes…

Não, não falo de Saramago, que era o protagonista da exposição, falo da exposição em si, da montagem preciosa e rigorosa que Fernando Gómez Aquilera desenhou, que levantou, que nos mostrou para que pudéssemos viver dentro dela. E assim vimos os nossos primeiros livros, aqueles de um papel que se desfazia e amarelecia nas nossas mãos, e vimos revistas que tanto nos ensinaram, e paisagens e rostos que eram os nossos, e emoções que partilhámos… E pensámos, que fazia eu naquele dia? E pusemos datas às recordações, quando o Nobel, quando o Memorial, quando o Evangelho, quando os cinemas de bairro das Pequenas Memórias, quando a Revolução, e quando uma folha seca mas brilhante que marcava uma data numa agenda… Fomos sendo nós próprios em A Consistência dos Sonhos, rodeados de letras, de todos os nomes, de pedras de Lanzarote e de retratos. Esta exposição que agora estão desmantelando não é a vida duma pessoa, é a soma das experiências de tantos leitores que estavam, cada experiência e cada leitor, nas páginas dos mil livros, nas fotografias, numa partitura, num cartaz, num vídeo em inglês ou em português, ou em outro com acento de Brasil… Era a exposição consistente do formoso acto de encontrar-se, não de escrever ou de ler, mas de habitar num mesmo universo, o nosso universo. Que agora levam, e dói, claro que dói, embora saibamos que pela sala da Ajuda continuarão a circular emoções como se fossem ecos de tantos sentimentos experimentados.

A consistência dos sonhos já não está em Lisboa. Outros países receberão o trabalho da Fundação César Manrique, de Lanzarote. E agora, apesar da pena, só resta manifestar alegria por tê-la visto, por ter podido participar na festa de a percorrer uma e outra vez, como se fosse um corpo, o corpo acolhedor e sugestivo que era. A Fundação César Manrique fez um bom trabalho, Fernando Gómez Aguilera, o comissário, fez um bom trabalho, os técnicos de Lanzarote fizeram um bom trabalho. E o Ministério da Cultura de Portugal, com o ministro à frente, fez um bom trabalho: soube o ministro compreender que o que estava acontecendo em Lanzarote devia entrar nas casas e nos corações dos portugueses, e assim se pôs a trabalhar para que o Palácio da Ajuda estivesse disponível e com as portas abertas de par em par para quantos quisessem experimentar a paixão íntima e deslumbrante do conhecimento partilhado. A todos eles, artistas, técnicos, gestores, representantes políticos, por ter-nos permitido esta gozosa experiência, obrigado de todo o coração.

Depois de termos visitado A Consistência dos Sonhos sabemos que a vida é maior, que a realidade vai mais além que o que a nossa vista alcança. Também sabemos que nos custará aceitar que esse património cultural e emotivo, assim disposto, já não estará em Lisboa para ser experimentado ao cair da tarde. Ou seja, sabemos que a exposição terá de regressar a Portugal porque de Portugal faz parte. Comecemos, pois, a sonhar de novo, agora que ficou claro que os sonhos são consistentes e têm muita força.

Boa viagem, Exposição, boa travessia e até breve.

Pilar del Río

Esa exposición que éramos todos

Han sido tres meses y 5 días. Contados como los enamorados cuentan ausencias y presencias. La exposición La consistencia de los sueños ya no está en el Palacio de Ajuda. Técnicos portugueses y españoles la embalan rumbo a otros destinos y ese hecho, a quienes la hemos recorrido una y varias veces, nos duele. Cuesta saber que se descuelgan cuadros, se guardan originales, se desconectan monitores, se pagan las esculturas de letras, se recogen los libros, se desmantela el primer escritorio de Saramago, se apaga el foco que apuntaba a la máquina de escribir de hace tanto y de la que tan hermosos libros salieron, cuesta aceptar que ya no toparemos con imágenes, con músicas, con la flor más grande del mundo, con Blimunda y Divara, con aquellos artículos cortados por la censura, con las caras de los abuelos de Saramago, tan bellas, con las calles depauperadas de un Portugal que no sabía todavía que por ahí caminaba un futuro escritor, cuesta asumir que dejaremos de ver la medalla del Nobel y el diploma que lo explica, cosas raras que solo un puñado de personas cada año pueden disfrutar, cuesta admitir que ya no poblará la sala Dom Luis la exposición de los sueños, decía, y un desgarro se apodera de nosotros, un sentido de ausencia, descubrir que algo que era nuestro ya no está, que tres meses y cinco días se han evaporado, que nos acostumbramos a saberla vecina y de pronto se va, cuando habíamos admitido que necesitamos sentirnos acompañados por esta hermosa exposición para aumentar nuestro propio conocimiento y nuestra capacidad de amarnos y de gustar de nosotros mismos, pobres diablos y sin embargo tan capaces...

No, no hablo de Saramago, que era el protagonista de la exposición, hablo de la exposición en sí, del montaje precioso y preciso que Fernando Gómez Aguilera diseñó, que levantó, que nos mostró para que pudiéramos vivir en él. Y así vimos nuestros primeros libros, aquellos de papel que se deshacía y amarilleaba en nuestras manos, y vimos revistas que tanto nos enseñaron, y paisajes y rostros que eran los nuestros, y emociones que compartimos… Y pensamos ¿qué hacía yo este día? Y le pusimos fecha a recuerdos, a cuando el Nobel, a cuando Memorial, a cuando el Evangelio, a cuando los cines de barrio de Las pequeñas memorias, a cuando la Revolución y a cuando una hoja seca pero brillante marcaba una fecha en una agenda… Hemos ido siendo nosotros en La consistencia de los sueños, nosotros rodeados de letras, de todos los nombres, de piedras de Lanzarote y de retratos. Esta exposición que ahora desmantelan no es la vida de una persona, es la suma de las experiencias de tantos lectores que estaban, cada experiencia y cada lector, en las páginas de los mil libros, en las fotos, en una partitura, en un cartel, en un vídeo en inglés o en portugués o en otro con acento de Brasil… Era la exposición consistente del hermoso acto de encontrarse, no de escribir ni de leer, sino de habitar un mismo universo, nuestro universo. Que ahora se llevan y duele, claro que duele, aunque sepamos que por la sala de Ajuda seguirán circulando emociones como si fueran ecos de tantos sentimientos registrados.

La consistencia de los sueños ya no está en Lisboa. Otros países recibirán el trabajo de la Fundación César Manrique de Lanzarote. Y ahora, pese a la pena, solo queda manifestar alegría por haberla visto, por haber podido participar en la fiesta de recorrerla una y otra vez, como si fuera un cuerpo, como el cuerpo acogedor y sugestivo que era. La Fundación César Manrique hizo un buen trabajo, Fernando Gómez Aguilera, el comisario, hizo un buen trabajo, los técnicos de Lanzarote hicieron un buen trabajo. Y el Ministerio de Cultura de Portugal, con el Ministro al frente, hizo un buen trabajo: supo el ministro cerciorarse de que lo que estaba pasando en Lanzarote debía de entrar en las casas y en los corazones de los portugueses y se puso a trabajar para que Ajuda estuviera disponible y con las puertas abiertas de par en par para quienes quisieran experimentar la pasión íntima y deslumbrante del conocimiento compartido. A todos ellos, artistas, técnicos, gestores, representantes políticos, por habernos permitido esta gozosa experiencia, gracias de todo corazón.

Después de haber visitado La consistencia de los sueños sabemos que la vida es más grande y que la realidad va más allá de lo que alcanza nuestra vista. También sabemos que nos costará aceptar que ese patrimonio cultural y emotivo, y así dispuesto, ya no estará en Lisboa para ser experimentado a la caída de la tarde. O sea, sabemos que la exposición tendrá que regresar a Portugal porque forma parte de Portugal. Empecemos, pues, a soñar de nuevo, ahora que nos han puesto de manifiesto que los sueños son consistentes y tienen mucha fuerza.

Buen viaje, Exposición, buena travesía y hasta pronto.

Pilar del Río

domingo, 27 de julho de 2008

Viva o povo brasileiro - Reacção de José Saramago à atribuição do Prémio Camões a Ubaldo Ribeiro

José Saramago declarou hoje ter ficado "tão contente" com a atribuição do Prémio Camões 2008 a João Ubaldo Ribeiro que só lhe apetecia dizer o título de um dos romances do amigo: "Viva o Povo Brasileiro".
Em declarações telefónicas à agência Lusa, o prémio Nobel da Literatura 1998 exclamou ao saber da notícia: "Fico muito contente e até tenho vontade de dizer 'Viva O Povo Brasileiro', numa referência ao título do romance de João Ubaldo Ribeiro."Ele é uma pessoa extraordinária, que infelizmente já não vejo há um par de anos, mas de quem guardo as melhores recordações do Brasil, ou da Alemanha, onde estivemos juntos", lembrou Saramago.
"Desprende cordialidade em cada gesto e devemos estar todos satisfeitos", acrescentou o Nobel da Literatura português, em relação ao galardoado com o Prémio Camões 2008.
"Justifica-se plenamente a atribuição do prémio que leva o nome de Camões, afinal a grande figura que une os países (lusófonos) através do laço autêntico da Língua Portuguesa", concluiu Saramago.

Fonte: LUSA

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Últimos dias de A Consistência dos Sonhos no Palácio da Ajuda

Encerra no próximo domingo, dia 27 de Julho, a exposição José Saramago: A Consistência dos Sonhos, patente na Galeria do Rei Dom Luís I - Palácio da Ajuda - desde o dia 23 de Abril. Nestes três meses foram muitos os que partilharam um espaço onde estão reunidos centenas de documentos, fotografias, pinturas e documentos pessoais de José Saramago.
Para assinalar o encerramento da exposição, terá lugar no dia 27, pelas 19 Horas, um concerto de violoncelo executado por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa. De acordo com o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), o concerto, de entrada gratuita e pelas 19:00, será realizado pelo duo de violoncelos Franz Ortner e Ana Cláudia Serrão.
Do programa fazem parte a Sonata n.º 1 para Dois Violoncelos de Georg Philipp Telemann (1681-1767), Bulerias, de Mario Escudero (1928-2004), Sonata para Dois Violoncelos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Sonata para Violoncelo Solo, de Gyorgy Ligeti (1923-2006).
Serão ainda interpretados o tema popular brasileiro "O Surdo", de Totonho e Paulinho Rezende, e "Julie-o", de Mark Summer.




José Saramago: A Consistência dos Sonhos pelo olhar de Isabel Coutinho
in Ciberescritas

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A Fundação José Saramago e o Centro Andaluz del Vidrio em Castril de la Peña, Granada, Espanha

Com o objectivo de recuperar a perdida indústria do vidro, pôs-se em marcha uma iniciativa que dará trabalho e visibilidade a uma zona economicamente deprimida.

Graças à iniciativa da Fundação José Saramago, do município de Castril e dos fundos obtidos através de instituições andaluzas, pôs-se em marcha um projecto que pretende recuperar e manter viva a tradição do trabalho em torno do vidro, arte que deu a conhecer Castril de la Peña à Europa e ao mundo, já que peças saídas das mãos dos criadores de Castril podem ser vistas nos museus mais importantes. Actualmente, no Centro é dada formação a cerca de 20 pessoas, que se iniciam nas artes do vidro soprado e noutras técnicas, e que serão os obreiros da indústria do vidro, tão reclamada durante anos.
O Centro e o trabalho que ali se realiza merecem uma visita, mas para quem não possas deslocar-se até Castril, pode ver este vídeo de apresentação que mostra as primeiras peças saídas do Centro Andaluz del Vidrio, já nesta data uma prometedora realidade.

Con el objetivo de recuperar la pérdida industria del vidrio, se ha puesto en marcha una iniciativa que dará trabajo y visibilidad a una zona económicamente deprimida.

Gracias a la iniciativa de la Fundación José Saramago, del Ayuntamiento de Castril y con los fondos obtenidos de las instituciones andaluzas, se ha puesto em marcha un proyecto que pretende recuperar y mantener viva la tradición del trabajo en torno al vidrio, arte que dio a conocer Castril de la Peña en Europa y el mundo entero, ya que piezas salidas de las manos de los creadores de Castril se pueden ver en los museos más importantes. Actualmente en el centro se imparte formación a cerca de 20 personas, que se inician en las artes del soplado del vidrio y otras técnicas, y que serán quienes pongan en marcha la industria del vidrio, tan reclamada durante años. El centro y el trabajo que allí se realiza merece una visita, pero para quien no pueda desplazarse hasta Castril, puede ver este video de presentación que muestra las primeras piezas salidas del Centro Andaluz del Vidrio, ya en estas fechas una prometedora realidad.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Concerto de violoncelo no encerramento da exposição José Saramago: A Consistência dos Sonhos

Um concerto de violoncelo executado por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa assinala dia 27 de Julho o encerramento da exposição "José Saramago. A consistência dos sonhos", patente na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I.
De acordo com o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), o concerto, de entrada gratuita, pelas 19:00, será realizado pelo duo de violoncelos Franz Ortner e Ana Cláudia Serrão.
Do programa fazem parte a Sonata n.º 1 para Dois Violoncelos de Georg Philipp Telemann (1681-1767), Bulerias, de Mario Escudero (1928-2004), Sonata para Dois Violoncelos de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Sonata para Violoncelo Solo, de Gyorgy Ligeti (1923-2006).
Também irão interpretar o tema popular brasileiro "O Surdo", de Totonho e Paulinho Rezende, e "Julie-o", de Mark Summer.
Com centenas de documentos, fotografias, pinturas e notas pessoais do Nobel da Literatura, a exposição "José Saramago - A Consistência dos Sonhos" recebeu cerca de 5.400 visitantes durante o primeiro mês em que esteve patente, após ter sido inaugurada a 23 de Abril.
Organizada pela Fundação César Manrique, a exposição é comissariada por Fernando Gómez Aguilera, e esteve inicialmente em Lanzarote (Canárias) - onde foi inaugurada em Novembro do ano passado -, tendo sido ampliada com mais documentos provenientes da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e pinturas criadas por artistas que se inspiraram na obra de José Saramago.
"A Consistência dos Sonhos" conta com uma forte componente multimédia, recorrendo a suportes digitais e audiovisuais, e exibe um conjunto de documentos inéditos do espólio do escritor laureado com o Nobel da Literatura em 1998. Manuscritos, obras inéditas, notas pessoais, primeiras edições, traduções, fotografias, vídeos e gravações originais que estiveram na exposição de Lanzarote, onde o escritor, de 85 anos, reside com a mulher, Pilar del Rio, podem ser vistos na Galeria D. Luís I do Palácio da Ajuda. A exposição original, que esteve patente em Lanzarote, foi ampliada, nomeadamente, com correspondência de José Saramago com outros escritores, entre os quais José Rodrigues Miguéis e Adolfo Casais Monteiro.
"José Saramago: A Consistência dos Sonhos" - apresentada em Lisboa com o apoio e organização do Ministério da Cultura através do Instituto Português de Museus (IMC), a BNP e a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) - vai estar patente na Galeria D. Luís até 27 de Julho.
A exposição estará aberta, de segunda-feira a domingo (excepto quarta-feira), das 10:00 às 19:00.

Fonte: LUSA

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Casa dos Bicos e a Fundação José Saramago

Ao longo do tempo, a Casa dos Bicos foi lugar de encontro de saberes e de culturas. Desde o século XVI até hoje ali se conciliaram formas distintas de ver o mundo. Ali se sonhou, se planificou, se abriram portas ao entendimento, o melhor que temos os seres humanos.
A Fundação José Saramago, com a maior gratidão e o maior orgulho, fará tudo para manter o bom e o excelente que esse edifício guarda e propagá-lo até onde cheguem as suas possibilidades. E, se tal estiver ao nosso alcance, a Fundação José Saramago tentará acrescentar história à grande História da Casa dos Bicos com a sua actuação diária no campo da Cultura, do Pensamento, dos Direitos Humanos, do Meio Ambiente, de matérias não tangíveis, mas que nos fazem ser desta maneira e não de outra. Para isso nascemos.
A Fundação José Saramago, feliz por esta concessão da Câmara Municipal de Lisboa, agradece e expressa a sua disposição para ser útil a todos, tal como claramente se encontra expressado na Declaração Fundacional e nas normas estatutárias.

Fundação José Saramago

Última hora - Aprovada cedência da Casa dos Bicos para Fundação Saramago

A Câmara de Lisboa aprovou hoje em reunião do executivo municipal a cedência da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, que acolherá a biblioteca do autor prémio Nobel da Literatura.
A cedência foi aprovada com os votos contra do movimento Lisboa com Carmona e do PSD e dos votos favoráveis do PS, Cidadãos por Lisboa, PCP e BE.
O protocolo entre a autarquia lisboeta e a fundação será assinado quinta-feira às 15:30, no salão nobre dos Paços do Concelho, com a presença de José Saramago.

Fonte: LUSA

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A Maior Flor do Mundo pelos olhos das crianças

A Fundação José Saramago organizou no ano lectivo que agora terminou uma série de ateliers concebidos a partir do livro e do filme de animação A Maior Flor do Mundo. Como resultado desse projecto, alguns alunos desenharam a sua Maior Flor do Mundo. Aqui ficam alguns dos trabalhos realizados.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Jorge de Sena na Antena 1 e Antena 2

Aqui deixamos o trabalho sobre Jorge de Sena realizado pela RDP e transmitido na Antena 1 e Antena 2 no dia 10 de Julho de 2008.
Podem ouvir-se poemas de Jorge de Sena, ditos pelo próprio, e declarações de Jorge Fazenda Lourenço sobre a obra e sobre o homem.




Autoria: Paula Véran / RDP

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Hoje, dia 10 de Julho, no Teatro Nacional de São Carlos, 21.30 Horas

Programa:

- Leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho
- Recital de piano por António Rosado
- Leitura de depoimento de Mécia de Sena
- Intervenções de Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva,
Jorge Fazenda Lourenço, António Mega Ferreira e
José Saramago
- Encerrará a sessão o Ministro da Cultura,
José António Pinto Ribeiro

Entrada livre, condicionada pela lotação da sala

Organização: Fundação José Saramago,
com a colaboração do Ministério da Cultura
Apoio: Biblioteca Nacional de Portugal,
Teatro Nacional de São Carlos

O reencontro de José Saramago com Jorge de Sena 47 anos depois

Na sexta-feira passada, em sua casa, José Saramago relembrou os tempos em que conheceu e se correspondeu com Jorge de Sena e começou por dizer que "a vida é lixada!". Depois, arrependeu-se da palavra e achou que se deveria encontrar outra para definir a vida e, principalmente, a morte porque "não só nos empurra brutalmente para fora da vida, mas tem, muitíssimas vezes, outra consequência que é uma outra espécie de morte que se chama esquecimento".
É contra esta situação que a Fundação José Saramago realiza esta noite uma sessão/debate para tornar mais presente na cultura nacional a obra daquele escritor. Para Saramago, Jorge de Sena "não está esquecido. Continua a ter muitíssimos leitores e a atenção dos estudiosos - académicos ou não - na obra poética e de ficção e alguns na área do ensaio".
Sobre o relacionamento de ambos, após 1961, o escritor recorda-o assim: "Eu conheci o Sena, sem qualquer espécie de intimidade a não ser aquela que resultou de quando ele se foi embora de Portugal porque fazia traduções para a Editorial Estúdios Cor (onde José Saramago trabalhava)." Posteriormente, "ele veio a Lisboa uma vez ou duas, uma por ocasião de um congresso de escritores em que casualmente ficámos sentados um ao lado do outro e conversámos. Depois de 1974, os contactos romperam-se porque não publicámos nada mais dele", acrescenta.
Desses tempos, o escritor realça ainda "uma característica raríssima num grande tradutor, e eu não conheço outro caso, a de a cada tradução acrescentar um estudo sobre esse livro" e uma outra, a de ser "o tipo de pessoa que eu aprecio porque é frontal e expressivo".
Quanto ao evento de hoje à noite, Saramago não acredita que seja "uma espécie de passe de mágica que vá transformar essa situação (de alguma indiferença) numa completamente diferente, com Portugal inteiro correndo às livrarias à procura dos livros do Jorge de Sena - coisa que estaria muito bem se o fizesse -, mas não sejamos ingénuos".
Para Novembro, estão previstas novas conferências com o Nobel. Depois de Jorge Luis Borges, os próximos autores são José Rodrigues Miguéis, Raul Brandão - "um escritor muito melhor e maior do que aquilo que se convencionou" - e Almada Negreiros, "responsável pela segunda grande revolução estilística na nossa língua e literatura".

João Céu e Silva, in DN de 10.07.2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Blindness - Novos cartazes

Entrevista de Pilar del Río ao DN - 2.ª parte

María Kodama [viúva de Jorge Luís Borges] falou da dificuldade em gerir uma fundação como esta de que é presidenta. É mesmo assim tão difícil?
É difícil ser mineiro e descer todos os dias não sei quantos mil metros até ao fundo da terra! Todas as coisas são difíceis em todas as profissões e algumas têm compensações, esta tem-nas, só não tem é um ordenado.

Mas o património da Fundação José Saramago é riquíssimo!
Riquíssimo de glórias e de honra…

Há direitos autorais que vêm de todo o mundo, nos EUA já vendeu mais de um milhão de livros e está traduzido em 40 e tal línguas. Portanto, não falta verba…
É um património que equivale ao que ganham alguns executivos por mês. O autor ganha um xis de cada livro, daí ainda paga imposto e, portanto, há que vender muitos milhões de livros. E não é o caso de Saramago, isso são os autores de best-sellers, porque Saramago é um autor de culto. Deixemo-nos de fantasias de que os escritores são muito ricos, será talvez a senhora que faz o Harry Potter mas, insisto, nunca como os grandes executivos.

Mas a Fundação tem assim tanta despesa?
A Fundação José Saramago nasce na democracia e para a democracia, mas como não temos fontes de financiamento próprias – não nos nasce petróleo como na Gulbenkian – nem uma potência económica por trás, antes uma soma de muitas vontades tal como aquelas que puseram a voar a passarola do Memorial do Convento, as que realizam os grandes projectos. Essa é a nossa riqueza, ter um patrono como Saramago que sabe que do solo se pode levantar o melhor e o pior. E temos a disposição, energia e uma ideia muito clara da nossa responsabilidade. De que como cidadãos intervimos e nos organizamos ou neste mundo e com esta economia não existe saída.

O sonho é diferente da realidade?
Não colaborar no sonho de Saramago seria se cúmplice do abandalhamento generalizado e, como detestamos a cultura como adorno nas casas dos ricos, queremos antes homens sábios em todas as esquinas. Isso é democracia. Quanto ao resto, não estamos para tal.

Mas, ao fim de um ano, já pode fazer um balanço das actividades e do futuro?
Estamos a organizar-nos bem, ou tão bem como podemos, para que a Fundação não seja um sonho de uma noite de verão. Para que dentro das suas capacidades e dos seus limites – toda e qualquer organização tem os seus limites – se prepare esta Fundação para fazer tudo aquilo que possa e se possível ainda alguma coisa mais para que a cultura se manifeste em todo o seu esplendor e contradições. Somos uma Fundação, repito, para cidadãos e não para consumidores. Não podemos ir até à lua, não temos tecnologia, capital ou desejo, mas poderemos descobrir o seu lado oculto porque contamos com o melhor do mundo: a vontade humana.

Mas a Fundação vai preocupar-se com a obra de José Saramago?
Esta Fundação não nasceu para cuidar da obra de Saramago, ela está em todo o mundo e quem trata dela é a sua agente literária. O que queremos fazer é discutir as ideias porque nos fóruns que os poderes realizam, ou nos dos governos, não se quer que nenhuma ideia se solte e tenha efeito? Onde é que estão os fóruns livres? Este é um deles.

Houve reacções ao site www.josesaramago.org, inaugurado no domingo passado?
Sim, muitíssimas. Enviei uma mensagem a muitos amigos que colocaram nas suas respectivas páginas a ligação com o nosso site e recebemos respostas inesperadas.

As questões ecológicas estão nos estatutos da Fundação. O que pretendem?
É uma preocupação de Saramago, portanto, é uma preocupação da Fundação.

E isso importa à presidenta?
Sim, mas a presidenta assume o espírito da Fundação, que é o espírito que Saramago passa. Como iríamos viver tranquilamente a ler estupendos livros se o mundo está feito uma merda? Eu não posso ler rodeada de porcaria.

O próximo livro de Saramago é importante para a Fundação?
Não, o próximo livro de Saramago é importante para a literatura, porque terá aumentado o seu património. Para os leitores, porque temos um livro mais. E enquanto é bom para os demais é bom também para a Fundação.

Tem estado a ler o livro. O que acha dele?
Que é muito bom.

Diferente?
É diferente dos últimos e mais parecido com alguns dos primeiros. É um livro saramaguiano, cem por cento saramaguiano.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Entrevista de Pilar del Río ao DN - 1.ª parte


Foi o livro 'Memorial do Convento' que fez Pilar del Río encontrar José Saramago em 1986. Desde então, ficou conhecida dos portugueses por ser capaz de fazer afirmações tão contundentes como as do escritor e partilhar do seu 'exílio'. Nesta entrevista, confessa-se "uma mulher indignada" que não perdoa sexismos gramaticais nem perguntas machistas

Há um ano que é presidente da Fundação José Saramago...
Presidenta!...

Presidenta?
Só os ignorantes é que me chamam presidente. A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta.

Mas a palavra não existe!
Porque é que entre uma mulher e um animal tem primazia o género do animal? Porque dizem "Vêm os dois" se é uma mulher e um cão quem vem? Em vez de dizerem que não se pode dizer presidenta, mas ministra sim, solucionem essa injustiça e canalhice. Que os doutos académicos resolvam um conflito que tem séculos porque não têm sensibilidade para apreciar a questão ou nem se aperceberam. Por isso, justificam com leis gramaticais ou simplesmente silenciam e riem-se das pretensões da mulher porque se acham superiores. Em quê?

Ser presidenta da Fundação que tem o nome de Saramago é uma grande responsabilidade?
Sim...

Principalmente tendo em conta que José Saramago é um nome muito polémico em Portugal!
Não. Saramago não é um nome polémico em Portugal. Saramago é um dos três ou quatro portugueses mais amados que há em Portugal. Pode ser que em algum meio, com facilidades de acesso à comunicação social, não se goste de Saramago, mas Saramago também não gosta dessas pessoas. Saramago não é polémico, é muito amado.

Mas o nome Pilar também é muito polémico...
Não. O nome de Pilar não existe em Portugal. Por amor de Deus, dê-me essa alegria hoje, diga-me que sim! Minta-me! Não existe, não, não há polémica comigo porque não tenho repercussão pública.

Não concordo com isso!
Então, porque é que eu sou polémica?

Porque a maior parte dos portugueses a olham como a mulher que foi responsável por levar José Saramago para Espanha.
Não, foi o Governo de Cavaco Silva! Dê outra razão...

Por ter opiniões muito próprias e não ter qualquer problema em as afirmar.
Os inteligentes adoram encontrar personagens com opinião própria, os ignorantes é que não.

Não quer ser politicamente correcta?
Não.

Porquê?
Se a Igreja Católica não tem problemas em defender o que defende, de dizer que as pessoas têm de morrer sem cuidados paliativos e todas essas coisas que vão contra o senso comum...

É mais fácil lidar com os leitores portugueses ou com os leitores espanhóis?Os leitores são bons leitores em Portugal e em Espanha. Alguns jornalistas de alguma comunicação social têm um grande problema com o tamanho do seu ego - para não dizer o tamanho de outra coisa - e estão zangados porque não podem suportar que haja um ser que seja querido, transgressor, escreva bem e seja reconhecido. Mas este não é problema dos leitores, é de umas quantas pessoas que tentam criar opinião, só que a opinião pública não é o mesmo que a opinião publicada.

Considera que a imprensa em Portugal não é livre e serve os interesses de certos grupos?
Penso que a imprensa não é livre no mundo inteiro e cada dia existem mais grupos de pressão que, economicamente, têm de atender muitas frentes. Por isso há cada vez mais boletins informativos e menos jornais e todos respondem a um pensamento politicamente correcto porque o que sai daí não existe e os jornalistas também não oferecem resistência. Os jornalistas são de maneira geral muito mal pagos, salvo as estrelas, e têm muita dificuldade em ter opinião própria. Fazem o que pensam que irá agradar às suas empresas.

Também é jornalista. Sente essas pressões?
Sim, claro.

Consegue ser livre no programa na rádio?
Claro, eu consigo porque tenho muitíssimos anos de trabalho e porque sei que no final acabam sempre a dizer "são coisas da Pilar". Tratam de reduzir-me a uma anedota mais ou menos simpática, mas sei que sou a cereja sobre o bolo.

Pode dizer-se que é uma espécie de Manuela Moura Guedes, muito interventiva?
Não! Entre o jornalismo que faz Manuela Moura Guedes e o que eu faço há uma diferença porque são duas escolas. Ela intervém, interrompe, ataca. Eu deixo falar, porque parece-me que deixando falar a outra pessoa é quando ela se mostra em absoluto. Sou totalmente contra essa forma de fazer jornalismo que é perguntar, perguntar e isso parece-me frequente aqui em Portugal.

Porque é que ainda se mantém jornalista?
Porque aprendi a ler aos sete ou oito anos num jornal e desde então soube que queria ser jornalista. Gosto de contar as coisas e de ser uma intermediação entre o que acontece e as pessoas.

Ainda é de uma geração em que acha que a imprensa podia mudar o mundo?
Não, eu penso que são os seres humanos que têm capacidade para mudar o mundo e não os jornalistas. Não me contento em ser uma notária e fazer registos, nunca fiz um jornalismo neutro e enjoa-me, vomito no jornalismo neutro. Faço um jornalismo que assina a notícia, que vê o mundo de uma maneira determinada e não se conforma com dizer as coisas reconhecidas ou o que recebe das grandes agências. No entanto, o jornalismo não muda o mundo, mas os jornalistas não podem ser tão idiotas que reproduzam o discurso dos centros de poder como costumam fazer.

Fazem um jornalismo neutro?
Jornalismo neutro é o que supostamente aspiram fazer ao contar o que acontece. Um momento genial foi quando o Fidel Castro esteve no Porto e os jornalistas pareciam ser as pessoas mais democratas que existiam no mundo e avançaram contra o senhor Castro com várias perguntas, ao que ele respondeu com outras questões: quantos anos estudaram jornalismo? É uma carreira universitária? Cobram muito? E a resposta foi: "Estamos num país democrático."

Fidel Castro é democrata?
Na Europa, todos os governantes que governam para seu benefício próprio e não para o povo são democratas? Berlusconi é um democrata? Bush é um democrata? Quem massacra um povo como o do Iraque é um democrata? E vão dizer "mas Fidel não deixa sair as pessoas da ilha" e os do Iraque podem sair? E os portugueses que passam necessidades podem partir?

Sabe-se que aprecia muito Hugo Chávez...
Seguramente não é a pessoa com quem vou tomar café à tarde. Tanto faz que goste ou não, mas é a pessoa que está a pôr água e luz nas casas onde não havia, faz escolas e preocupa-se com a saúde. Aplaudo isso e está a repartir a riqueza de um país em que só se dividia a pobreza. Se nunca tivesse tido água em casa, nem luz, nem escola, nem saúde, votaria em Chávez todos os dias.

De que ideologia gosta?
Não é a que gosto, é a que tenho!

Em que partido se inscreveria?
Evidentemente que seria um partido de esquerda, mas não me pergunte qual porque hoje está tudo em mudança. Sempre fui votante do Partido Comunista até que o Partido Socialista (PSOE) me reclamou e eu respondi porque, em alguns momentos, por responsabilidade tinha de estar lá. Mas encontro-me muito bem com a Esquerda Unida de Llamazares apesar de ter votado no Partido Socialista em algumas ocasiões. Esta coisa de o voto ser secreto é outra história de que havia muito para falar. Quer-se secreto porque temos de ocultar a ideologia.

Mas hoje em dia vota em Zapatero?
Não. Voto em algumas ocasiões no PSOE e noutras na Esquerda Unida.

Em Portugal, votaria em qual?
Votaria Partido Comunista, mas nas eleições autárquicas votaria Manuel Maria Carrilho e depois António Costa. E porque não teria votado no Partido Comunista? Queria assegurar que os socialistas governassem, que fosse a esquerda.

Acredita que os partidos comunistas espanhol e português têm futuro nos tempos que correm? A esquerda tem sentido?
Sim, a esquerda é necessária mesmo que os grandes grupos de pressão digam que é uma ideia antiquada. Os "democratas" das grandes empresas e multinacionais acham e conseguem com o seu poder mediático impressionante que se considere que a esquerda não tem futuro, mas as pessoas têm cada vez mais necessidades, dívidas, angústia e problemas para viver e isto o patrão não irá solucionar.

E a União Europeia resolvê-los-á?
Sim... (ri-se) A União Europeia com Berlusconi e Sarkozy irá mesmo resolver muitos problemas...

E a Europa de Zapatero e Sócrates?
Não, porque vão ser isolados. Quem manda é essa coisa tão patética e ridícula chamada Berlusconi e do género e irão fazer o possível por isolar os partidos socialistas.

E Mariano Rajoy também é tipo Berlusconi?
Não, por Deus, não! Mariano Rajoy é uma pessoa de quem pessoalmente gosto mas representa interesses que não são os meus e tem posições perante o mundo que não são as minhas. Respeito-o.

O PP de Mariano Rajoy está num grande debate sobre se volta ao centro...
E por uma razão muito simples, é que supostamente nessa massa amorfa que é o centro é onde está a maior fonte de votos. Creio que ele quer vir a ser centro para refundar o que foi a UCD de Adolfo Suárez.

Mas está a ter grande contestação interna?
A Esperanza Aguirre é uma política e tem toda a legitimidade em querer ser a líder do Partido Popular. E como o diz claramente isso agrada-me.

As mulheres na política são como os homens, melhores ou piores?
As mulheres nunca podem ser iguais aos homens. Não são homens! E os homens não podem ser iguais às mulheres.

A actual ministra das Forças Armadas de Espanha voltou ao trabalho, seis semanas depois de ter sido mãe... Isso é ser diferente?
Não. Esteve grávida, regressou e o seu marido está de baixa a cuidar do menino.

Zapatero tem no Governo várias mulheres...
Porque é esperto. Porque é inteligente.

Só por essas razões?
Claro. Se vai fazer uma equipa de pessoas que trabalhem com ele - que não estejam a trabalhar para eles mesmos - e que trabalhem para a sociedade, então encontra nesse grupo de mulheres quem trabalhe para a sociedade e menos para elas mesmas. Estamos habituadas a ter de trabalhar para os filhos que temos.

Mas não considera que as mulheres trabalham melhor do que os homens?
Trabalhamos mais, melhor e em várias coisas de cada vez.

Essa possibilidade feminina de trabalhar em várias coisas ao mesmo tempo é um mito...
Vamos lá ver, conte as coisas que já fez hoje. (Faço a lista e responde) Parece uma mulher (risos)

Como é que se porta o homem lá de casa?
Essa é outra história. Estamos a falar de um tempo distinto, um trabalho distinto, uma circunstância distinta. Não responde ao cânone.

Zapatero abraça todas as bandeiras gay. Para ganhar votos ou porque acredita?
Zapatero abraça as bandeiras que são direitos humanos e veio corrigir um défice democrático. E a legalização dos casamentos homossexuais é um défice democrático.

O casamento homossexual não a preocupa?Porquê?
É muito pior e mais complicado para a vida matrimonial os homens com barriga.

Nos EUA tivemos agora uma mulher e um afro-americano a disputar a presidência…
Um negro!

Um negro a disputar a presidência. Isso vai mudar alguma coisa nos Estados Unidos?
O que lamento é que a mulher não tenha ganho as primárias. Nos EUA, os negros conseguiram o direito a voto em todos os estados antes das mulheres. Esse senhor tem uma cor diferente mas agradava-me que fosse uma pessoa que fizesse uma mudança qualitativa e por muitíssimas razões que fosse Hillary Clinton. Porque está cheia de ira e de raiva e porque tem um domínio das coisas, mas as pessoas deixaram-se levar pelo discurso muito bonito e poético de Obama.

Entrevista de João Céu e Silva
Fotografia de Rui Coutinho
Publicada no Diário de Notícias de 06 de Julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Consistência dos Sonhos. Uma visita virtual


A Fundação César Manrique acaba de lançar um mini-site no qual se pode fazer uma visita virtual fotográfica (com opção de planos, visualização de vídeos e leitura de documentos, por exemplo) à Exposição José Saramago: A Consistência dos Sonhos, quando esteve patente ao público em Lanzarote em Janeiro deste ano, e que está agora em exibição em Lisboa, no Palácio Nacional da Ajuda, até ao dia 27 do corrente mês. Eis o endereço em que podem consultá-la: vale a pena; o trabalho realizado pela Fundação César Manrique, que José Saramago qualificou de notável além de emocionante, é um exemplo do bom uso que as novas tecnologias permitem, que abrem caminho à investigação e também à poesia.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Concerto na Galeria do Rei Dom Luís I

No âmbito da exposição A Consistência dos Sonhos terá lugar no próximo dia 6 de Julho, pelas 19 Horas, um concerto pelo Quarteto Vianna da Motta, composto por António Figueiredo (1.º Violino), Rodrigo Gomes (2.º Violino), Hugo Diogo (Viola) e Irene Lima (Violoncelo). Será interpretado o Quarteto n.º 9, op. 117 de D. Shostakovich.
José Saramago assistirá ao concerto e, no final, estará disponível para assinar as suas obras.
A entrada é livre.



Organização: Ministério da Cultura, Instituto de Museus e Conservação e Teatro Nacional de São Carlos

Ficheiro musical: The Shostakovich Quartet, III Allegretto

terça-feira, 1 de julho de 2008

Curso livre em torno da obra de José Saramago no Palácio da Ajuda

No âmbito da exposição A Consistência dos Sonhos, patente na Galeria de Pintura do Rei Dom Luís I do Palácio da Ajuda, até ao próximo dia 27 de Julho, o Instituto dos Museus e Conservação (IMC) e a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) organizam um curso livre a decorrer nos dias 10 e 11 de Julho em torno da obra do escritor, abordando aspectos variados na obra de Saramago.

O programa é o seguinte:

10 de Julho

11.30 - Maria Isabel Rocheta
12.15 - Dialogismo e encontro de culturas em História do Cerco de Lisboa


14.30 - José Manuel Mendes
15.15 - Entre romances: os Cadernos de Lanzarote


15.30 - Miguel Real
16.15 - Saramago e o romance histórico português

11 de Julho

11.30 - Paula Morão
12.15 - O Ano da Morte de Ricardo Reis, de Saramago: percurso na cidade de Lisboa

Almoço na Estufa real, Calçada da Ajuda

14.30 - Ana Paula Arnaut
15.15 - José Saramago: da (in)consistência da História à consistência dos sonhos

15.30 - José Manuel Mendes
16.15 - As palavras - Leitura de textos de José Saramago

Inscrições gratuitas até 7 de Julho:
saramago.expo@dglb.pt
Tel. - 21 798 21 43 ou 45
Fax - 21 798 21 41

Almoço na esplanada do restaurante Estufa Real (28€)
Jardim Botânico da Ajuda, Calçada da Ajuda
Inscrição prévia nos mesmos contactos

Ao clicar na imagem, pode ver o programa em tamanho real

Novo cartaz de Blindness

domingo, 29 de junho de 2008

Fundação José Saramago - Primeiro aniversário

Nascemos há um ano, quando José Saramago assinou uma declaração que transmitia o impulso de que necessitávamos para nos constituirmos numa Fundação que se propunha objectivos públicos, claros e concretos. Logo tivemos de crescer, ter casa, documentos que dessem fé da nossa existência, em resumo, dar à vida os sonhos que tinhamos vivido durante o longo período de gestação que antecedeu o acto criador.
Agora já somos crescidos, temos um ano de vida e umas quantas experiências acumuladas:
Cumprimos as obrigações básicas, em cada manhã abrem-se as portas da sede da Fundação em Lisboa e ali, com Saramago trabalhando no seu escritório, articulam-se sonhos e possibilidades, a realidade que exige concretização e a necessária dose de entusiasmo sem a qual nada é possível.
Inaugurou-se a sede local de Azinhaga, um cibercafé-biblioteca-livraria para os conterrâneos de Saramago e para os que venham percorrer uma paisagem que já lhes é familiar por a terem lido em páginas memoráveis.
Abriu-se a biblioteca de Lanzarote, lugar de estudo e de intercâmbio de ideias. Os “Encontros na Biblioteca”, que Maria Kodama inaugurou, são uma das actividades principais a realizar periodicamente, mas não se pode esquecer também o trabalho de investigação que foi necessário realizar para que a Fundação César Manrique pudesse organizar a exposição “A consistência dos sonhos”, obra magnífica que, uma vez mais, a Fundação José Saramago reconhece e agradece.
Organizaram-se concertos em Lisboa, Madrid e Lanzarote, editou-se um livro de memórias que, por sua vez, inaugura uma linha gráfica, receberam-se alunos que querem saber que vem a ser isso de ler, atenderam-se estudiosos de vários continentes, pessoas interessadas no misterioso mundo das letras e dos autores, receberam-se projectos, obras de ensaio que requeriam fontes para avançarem e as encontraram na Fundação, e, sobretudo, convivimos com a matéria dos sonhos durante um ano.
Um ano não é muito, embora para a Fundação José Saramago seja tudo. Agora é o tempo da maturidade, apresentamo-nos
neste “sítio” electrónico, que será, como já o era o “blog”, um lugar de encontro de quem pela Literatura, sim, mas também pelos Gandes Direitos Universais, sintam predilecção e urgência de manifestar-se e realizar.
Às Universidades que, como a de Granada, em Espanha, e a Católica de Córdoba, em Argentina, para citar dois exemplos destacados, se somaram ao nosso empenhamento. Obrigado. Continuaremos a viajar juntos.
Aos Ministérios de Cultura de Portugal e Espanha, o nosso reconhecimento.
À Fundação César Manrique, nossos mestres, um abraço.
Aos pintores que colaboraram com a sua obra, aos escritores que estiveram, aos amigos que têm acompanhado a nossa vida neste primeiro ano e que ofereceram o melhor que tinham, o seu interesse e dedicação, todo o nosso afecto e a promessa de que não desmaiaremos quando o frio chegar.
No dia 10 de Julho, em Lisboa, celebraremos o primeiro aniversário. Será no Teatro de São Carlos e ao redor de Jorge de Sena e da sua magnífica obra de poeta, ficcionista e ensaísta. Para ouvir de novo a respiração da poesia e da música que a poesia contém ou se contém nela. O acto tem um título, “Jorge de Sena – Um regresso”, talvez porque queremos chegar, uma vez mais, ao coração de um autor português que, morreu fora da sua terra, mas dentro do seu idioma. Acto este em que será reclamado de todas as formas que a capacidade criadora dos sentimentos seja capaz de expressar.
E, por fim, para Rogério Ribeiro e Bartolomeu Cid dos Santos o nosso comovido carinho: foram os primeiros a retratar a obra de Saramago, os primeiros a morrer, são os mais amados dos nossos corações.

Nacimos ahora hace un año, cuando José Saramago firmó una declaración que transmitía el aliento que necesitábamos para constituirnos en una Fundación con objetivos públicos, claros y concretos. Luego necesitamos crecer, tener casa, documentos que dieran fe de existencia, en definitiva, poner en la vida los sueños acumulados mientras el periodo de gestación, tan largo.
Ahora ya somos mayores, tenemos un año de vida y unas cuantas experiencias acumuladas:
Porque hemos hecho los deberes, cada mañana abre sus puertas la sede de la Fundación en Lisboa y desde ella, con Saramago trabajando en su escritorio, se trata de articular sueños y posibilidades, la realidad que exige concreción y la necesaria dosis de entusiasmo sin la cual nada es posible.
Se inauguró la sede de Azinhaga, un cibercafé- biblioteca - librería para los coterráneos de Saramago y para los que van a recorrer un paisaje que ya es familiar a base de haberlo leído antes en páginas memorables.
Se abrió la biblioteca de Lanzarote, lugar de estudio y de intercambio de ideas. Los "Encuentros en la biblioteca" que inauguró María Kodama son una de las actividades periódicas y señeras, pero está también el trabajo de investigación, el que fue necesario realizar para que la Fundación César Manrique pudiera organizar la exposición "La consistencia de los sueños", obra magnifica que, una vez más, la Fundación Saramago reconoce y agradece.
Se han organizado conciertos en Lisboa, Madrid y Lanzarote, se ha editado un libro de memorias que, a su vez, inaugura una línea gráfica, se han recibido a escolares que quieren saber qué es esto de leer, tanto en Lisboa como en Lanzarote, se han atendido a estudiosos de varios continentes, a personas interesadas en el misterioso mundo de las letras y los autores, se han recibido proyectos, obras de ensayo que requirieron de fuentes para avanzar y las encontraron en la Fundación, y, sobre todo, se ha convivido con la materia de los sueños minuto a minuto durante un año.
Un año no es mucho, aunque para la Fundación José Saramago es todo. Ahora, en el tiempo de la madurez, nos presentamos
en este sitio electrónico, que será, como ya lo era el blog, un lugar de encuentro de quienes por la Literatura, sí, y también por los Grandes Derechos Universales sienten predilección y la urgencia de manifestarse y de realizar.
A las Universidades que, como la de Granada en España o la Católica de Córdoba, en Argentina, por citar dos ejemplos destacados, se han sumado a nuestro empeño, gracias y seguiremos viajando juntos.
A los Ministerios de Cultura de Portugal y España, nuestro reconocimiento.
A la Fundación César Manrique, nuestros maestros, un abrazo.
A los pintores que colaboraron con su obra, a los escritores que han estado, a los amigos que han seguido la vida este primer año y que han ofrecido lo mejor que tenían, su interés y dedicación, todo el afecto y la promesa de no desmayar cuando llegue el frío.
El 10 de julio, en Lisboa, celebraremos el primer aniversario. Será en el Teatro San Carlos y alrededor de Jorge de Sena y a su magnífica obra. Para oír de nuevo la respiración de la poesía y de la música que la poesía contiene o por ella es contenida. El acto tiene un título, "Jorge de Sena - Un regreso" , quizá porque queremos llegar, una vez más, al corazón del autor portugués que murió fuera de su tierra pero dentro de su idioma. En el que será reclamado de todas las formas que la capacidad creadora de los sentamientos sea capaz de expresar. Y por fin, para Rogerio Ribeiro y Bartolomeu Cid dos Santos nuestro cariño emocionado: fueron los primeros en retratar la obra de Saramago, los primeros en morir, son los más amados de nuestros corazones.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Cartaz do filme Blindness no Japão